Estágios na Educação Química: ao encontro de uma formação humanizada e de encontro as (contra)reformas contemporâneas

Autores

  • Vivian dos Santos Calixto UFGD

DOI:

https://doi.org/10.56117/resbenq.2025.v6.e062505

Palavras-chave:

Bildung, (Contra)reformas, Experiência Estética

Resumo

Estar ao encontro ou de encontro a algo implica posicionamento. Como nos inspira Freire, não há posição neutra, mesmo na falta de demarcação de opiniões explicita-se a escolha/adesão por uma perspectiva. Este mote estrutura e organiza a escrita desse texto, quase como um “Fio de Ariadne” que nos guia no percurso que trilhamos no intento de sair do labirinto. Nesse ínterim, compreende-se o Estágio como um terreno prolífico do/no campo da formação de professores de Química, que constitui-se por aprendizagens, saberes e práticas, catalisadas pelo espaço da Escola. Trata-se de uma abordagem da Educação Química imersa no ambiente da escola, do meio no qual demarca-se sua gênese. Ante esse cenário, o labirinto que tem constituído os documentos normativos da/na formação de professores torna-se menos desorientador quando nos guiamos a partir do fio que se materializa nos nossos processos de insubordinação criativa, operacionalizados no decorrer de nossas ações. Nesse contexto, comunica-se um exercício compreensivo das vivências e experiências desenvolvidas no espaço/tempo do Estágio de um curso de Química da região Centro-Oeste. Tais experiências podem ser percebidas como camadas que constituem a trama deste fio que nos inspira e orienta no percurso, por vezes assustador e não-linear da Educação, Educação Química, na contemporaneidade. Nesse âmago, assume-se como intencionalidade “compreender como os estágios têm oportunizado um espaço de (re)existência na formação de professores de química”. Da mesma forma, cristaliza-se como questão de investigação “o que é isso que se mostra do Estágio, no curso de Química, enquanto espaço de (re)existência?”. Assumindo esse cenário complexo e plurifacetado, organiza-se o desenho teórico/metodológico desta escrita compreensiva a partir de quatro dimensões, nas quais apresenta-se nosso contexto, o curso de Licenciatura em Química, marcadores teóricos, metodológicos, a análise mediante dois movimentos, respectivamente denominados de fenomenológico e hermenêutico, e as considerações. Do percurso trilhado compreende-se que o território dos Estágios tem se materializado como campo de (re)existência nos cursos de formação de professores, de fortalecimento da Educação Química, de potência no estabelecimento de princípios como a indissociabilidade entre teoria e prática, articulação universidade e escola e da constituição docente.

Biografia do Autor

Vivian dos Santos Calixto, UFGD

Licenciada em Química, Pibidiana e Mestre em Educação em Ciências pela Universidade Federal do Rio Grande (FURG). Doutora em Educação para a Ciência e a Matemática pela Universidade Estadual de Maringá (UEM). Pós-doutoranda na Universidade Federal do Paraná - campus Palotina, no Programa de Pós-Graduação em Ciências, Educação Matemática e Tecnologias Educativas (PPGECEMTE/UFPR). Professora Adjunta da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Matemática (PPGECMat/UFGD) e do PPGECEMTE/UFPR. Líder, em conjunto de Adriana Marques de Oliveira, do Grupo de Estudos e Pesquisa Horizontes Compreensivos na Educação em Ciências e Química - GEPHCECQ. 

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Publicado

2025-11-02

Como Citar

Vivian dos Santos Calixto. (2025). Estágios na Educação Química: ao encontro de uma formação humanizada e de encontro as (contra)reformas contemporâneas. Revista Da Sociedade Brasileira De Ensino De Química, 6(1), e062505. https://doi.org/10.56117/resbenq.2025.v6.e062505

Edição

Seção

Dossiê