Apropriação da Linguagem Química por Alunos com Deficiência Visual

Autores

  • Siméia dos Santos Cerqueira Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia
  • Marcos Antonio Pinto Ribero Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia
  • Ana Cristina Santos Duarte Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

DOI:

https://doi.org/10.56117/resbenq.2025.v6.e062502

Palavras-chave:

Filosofia da Química. Ensino de química. Modelos sensoriais

Resumo

Este artigo investiga a apropriação da linguagem química por alunos com deficiência visual por meio da manipulação de modelos táteis de bolas e varetas. A pesquisa foi realizada com alunos da Associação Jequiense de Cegos (AJECE) e adota como metodologia a Teoria Fundamentada nos Dados (TFD). O ensino de química é tradicionalmente pautado em aspectos visuais, o que dificulta a aprendizagem para esses alunos.  A análise da sequência de aulas identificou elementos essenciais que participam do processo de aquisição da linguagem química e remetem à noção de juízos químicos, presentes na história e filosofia da química, como: mereologia, que explica as relações parte-todos presentes na ciência química e na percepção tátil de quem não dispõe da visão; o conceito de affordance, que trata das possibilidades de interação dos alunos com os modelos táteis e como esses objetos contribuem para a interpretação do conteúdo químicos; além do conceito de proxêmica, que facilita tanto a mediação docente quanto a participação dos alunos. Esses conceitos se articulam com a Teoria dos Jogos de Linguagem de Wittgenstein, segundo a qual compreender uma linguagem é participar de suas práticas específicas. Assim, ensinar química para alunos com deficiência visual significa possibilitar sua inserção no jogo de linguagem da química, no qual a aprendizagem ocorre por meio do uso e da vivência da linguagem científica em contextos significativos.

Biografia do Autor

Siméia dos Santos Cerqueira, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

Doutoranda em Educación en ciencias experimentales pela Universidad Nacional del Litoral – Santa Fe, Argentina; Mestre em Educação em Ciência e Matemática, pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB); Professora Assistente no curso de Licenciatura em Química na UESB, Campus de Jequié; coordena, desde 2022, o subprojeto de Química no PIBID. Tem se dedicado a orientar os alunos em disciplinas de estágio e a pesquisar sobre a Educação Química e apropriação da linguagem química por estudantes com deficiência visual.

Marcos Antonio Pinto Ribero, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

Graduado em Química Bacharelado pela Universidade Federal da Bahia (1996), Mestre em Ensino, Filosofia e História das Ciências pela Universidade Federal da Bahia (2003) e Doutor em Educação pela Universidade de Lisboa (2014). Colaborador na Universidade do Porto e  professor titular da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Coordena o grupo de pesquisa Investigações em Filosofia, Química e Currículo que tem trabalhado principalmente os seguintes temas: Filosofia da Educação Química, Perspectivas não fisicalistas para Educação Química; Química Critica; Sociologia da Química; Currículo crítico e emancipatório a partir da Filosofia da Química; Formação superior em Química; A investigação em Química nas Universidades Brasileiras e mundiais.

Ana Cristina Santos Duarte, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

Doutora em Educação pela Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como líder do Grupo de Estudos e Pesquisa em Educação em Ciências, Saúde e Diversidade (GEPECSAD), vinculado às linhas de pesquisa Formação de Professores e Currículo e Processos de Ensino e Aprendizagem do Programa de Pós-Graduação Educação Científica e Formação de Professores (PPG-ECFP) da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). É Professora da graduação no curso de Licenciatura em Ciências Biológicas. Tem se dedicado a pesquisar a formação de professores e ensino de Ciências, processos de ensino e aprendizagem educação inclusiva e educação em saúde. E-mail: anacristina@uesb.edu.br

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Publicado

2025-12-02

Como Citar

Cerqueira, S. dos S., Ribero, M. A. P., & Duarte, A. C. S. (2025). Apropriação da Linguagem Química por Alunos com Deficiência Visual. Revista Da Sociedade Brasileira De Ensino De Química, 6(1), e062502. https://doi.org/10.56117/resbenq.2025.v6.e062502

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