Apropriação da Linguagem Química por Alunos com Deficiência Visual
DOI:
https://doi.org/10.56117/resbenq.2025.v6.e062502Palavras-chave:
Filosofia da Química. Ensino de química. Modelos sensoriaisResumo
Este artigo investiga a apropriação da linguagem química por alunos com deficiência visual por meio da manipulação de modelos táteis de bolas e varetas. A pesquisa foi realizada com alunos da Associação Jequiense de Cegos (AJECE) e adota como metodologia a Teoria Fundamentada nos Dados (TFD). O ensino de química é tradicionalmente pautado em aspectos visuais, o que dificulta a aprendizagem para esses alunos. A análise da sequência de aulas identificou elementos essenciais que participam do processo de aquisição da linguagem química e remetem à noção de juízos químicos, presentes na história e filosofia da química, como: mereologia, que explica as relações parte-todos presentes na ciência química e na percepção tátil de quem não dispõe da visão; o conceito de affordance, que trata das possibilidades de interação dos alunos com os modelos táteis e como esses objetos contribuem para a interpretação do conteúdo químicos; além do conceito de proxêmica, que facilita tanto a mediação docente quanto a participação dos alunos. Esses conceitos se articulam com a Teoria dos Jogos de Linguagem de Wittgenstein, segundo a qual compreender uma linguagem é participar de suas práticas específicas. Assim, ensinar química para alunos com deficiência visual significa possibilitar sua inserção no jogo de linguagem da química, no qual a aprendizagem ocorre por meio do uso e da vivência da linguagem científica em contextos significativos.
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