Estágio Curricular Supervisionado em Química: análise de um percurso formativo para (re)pensar a formação inicial

Autores

  • Paola Gimenez Mateus Alves Universidade Estadual Paulista (UNESP), Faculdade de Ciências, Campus de Bauru
  • Melany Isabel Garcia Natale Universidade Estadual Paulista (UNESP), Instituto de Química, Campus de Araraquara
  • Angélica Ramos da Luz Universidade Estadual Paulista (UNESP), Instituto de Química, Campus de Araraquara
  • Amadeu Moura Bego Universidade Estadual Paulista (UNESP), Instituto de Química, Campus de Araraquara

DOI:

https://doi.org/10.56117/resbenq.2025.v6.e062508

Resumo

Inserido no contexto da formação inicial de professores, neste artigo, investiga-se quais as potencialidades, os desafios e as perspectivas de ressignificar o Estágio Curricular Supervisionado (ECS) em Química por meio do Percurso Formativo de Implementação de Unidades Didáticas Multiestratégicas (PFI-UDM). Fundamentados em uma abordagem qualitativa de cunho documental, analisa-se quatro documentos publicados no catálogo de teses e dissertações da Capes até 2024, sendo: 1 dissertação de mestrado e 3 teses de doutorado. Por meio dos princípios da análise de conteúdo, busca-se identificar indícios de contribuições e limitações da proposta formativa na formação inicial de professores de Química. Os resultados evidenciam que o PFI-UDM favorece o desenvolvimento de planejamentos de ensino inovadores, a reflexão crítica sobre a prática docente e o aprimoramento do conhecimento profissional dos licenciandos. Logo, o PFI-UDM é caracterizado como uma proposta promissora para ressignificar o ECS. Contudo, persistem alguns desafios ainda a serem superados, como a dificuldade de transposição da teoria para a prática desses planejamentos de ensino e a persistência de obstáculos de natureza epistemológica sobre Ciência. O estudo aponta, assim, a necessidade de aprofundar e ampliar as investigações sobre o PFI-UDM, incluindo, por exemplo, (re)pensar a formação do professor formador do ECS para atuar como orientador no PFI-UDM e como integrar o professor supervisor do ECS da Educação Básica que recebe os licenciandos nesse processo.

Biografia do Autor

Paola Gimenez Mateus Alves, Universidade Estadual Paulista (UNESP), Faculdade de Ciências, Campus de Bauru

Licenciada em Química pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) – Bauru – SP. Mestra em Química pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) – São Carlos – SP. Doutora em Educação para a Ciência pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) – Bauru – SP.

Melany Isabel Garcia Natale, Universidade Estadual Paulista (UNESP), Instituto de Química, Campus de Araraquara

Bacharela e Licenciada em Química pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) – Araraquara – SP. Mestra em Química pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) – Araraquara – SP. Doutoranda em Química na Universidade Estadual Paulista (Unesp) – Araraquara – SP.

Angélica Ramos da Luz, Universidade Estadual Paulista (UNESP), Instituto de Química, Campus de Araraquara

Licenciada em Química pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) – Goiás – GO. Mestra em Educação para Ciências e Matemática pelo Instituto Federal de Goiás (IFG) – Jataí – GO. Doutora em Química pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) – Araraquara – SP. Pós-doutoranda em Química no Instituto de Química da Unesp – Araraquara – SP.

Amadeu Moura Bego, Universidade Estadual Paulista (UNESP), Instituto de Química, Campus de Araraquara

Licenciado em Química pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) – Araraquara – SP. Mestre em Química Inorgânica pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) – Araraquara – SP. Doutor em Educação para a Ciência pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). Pós-doutor em Educação pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP) – São Paulo – SP.  Professor Adjunto do Departamento de Química Analítica, Físico-Química e Inorgânica (QAFI) e professor do Programa de Pós-Graduação em Química do Instituto de Química da Unesp – Araraquara – SP.

Referências

Alves, M. & Bego, A. M. (2020). A celeuma em torno da temática do planejamento didático-pedagógico: definição e caracterização de seus elementos constituintes. Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências, 20(u), 71-96. DOI: https://doi.org/10.28976/1984-2686rbpec2020u7196

Alves. M. (2023). Contribuições da Implementação de Unidades Didáticas Multiestratégicas para o Desenvolvimento do PCK de Professores de Química em Formação Inicial. [Tese de Doutorado, Universidade Estadual Paulista].

Alves, F. C. & Santos, C. M. M. (2023). Aspectos histórico-legais e teóricos do estágio supervisionado. Revista Humanidades & Educação, 5(8), 38-51. https://doi.org/10.18764/2675-0805v5n8.2023.4

Alves. P. G. M. (2024). O Percurso Formativo de Implementação de uma Unidade Didática Multiestratégica e o Desenvolvimento do Conhecimento Profissional Desejável no Contexto da Formação Inicial de Professores de Química. [Tese de Doutorado, Universidade Estadual Paulista].

Alves, P. G. M., Bego, A. M. & Zuliani, S. R. Q. A. (2025). O percurso formativo de implementação de unidades didáticas multiestratégicas e as fontes do conhecimento profissional desejável na formação inicial de professores de Química. Investigações em Ensino de Ciências, 30(2), 442-479. https://doi.org/10.22600/1518-8795.ienci/2025v30n2p442

Azevedo, R. O. M. & Gonzaga, A. M. (2018). O lugar do estágio com pesquisa na formação inicial de professores de Ciências. Revista Multidisciplinar em Educação, 5(11), 61-83. https://doi.org/10.26568/2359-2087.2018.3408

Assai, N. D. D. S., Broietti, F. C. D. & Arruda, S. D. M. (2018). O estágio supervisionado na formação inicial de professores: estado da arte das pesquisas nacionais da área de ensino de ciências. Educação em Revista, 34, e203517. https://doi.org/10.1590/0102-4698203517

Bardin, L. (2021). Análise de Conteúdo. Edição revista e atualizada. Lisboa: Edições 70.

Bego, A. M. (2016). A Implementação de Unidades Didáticas Multiestratégicas na Formação Inicial de Professores de Química. Coleção Textos FCC (Online), 50, 55-72. Recuperado de https://publicacoes.fcc.org.br/textosfcc/article/view/4316/3233

Bego, A. M., Ferrarini, F. O. C. & Moralles, V. A. (2021). Ressignificação dos Estágios Curriculares Supervisionados por meio da Implementação de Unidades Didáticas Multiestratégicas. Educação Química en Punto de Vista, 5(1), 5-28. https://doi.org/10.30705/eqpv.v5i1.2530

Bego. T. M. (2017). Conhecimentos Implícitos e Explícitos de Professores de Química em Formação Inicial: a implementação de Unidades Didáticas Multiestratégicas como percurso formativo. [Dissertação de Mestrado, Universidade Estadual Paulista].

Brasil (2008). Lei n. 11.788, de 25 de setembro de 2008. Dispõe sobre o estágio de estudantes. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/lei/l11788.htm

Carvalho, A. M. P. (2019). O ensino de Ciências e a proposição de sequências de ensino investigativas. In A. M. P. Carvalho (Org.), Ensino de Ciências por investigação: condições para implementação em sala de aula. São Paulo: Cengage Learning, 1-20.

Costa, A. B. & Zoltowski, A. P. C. (2014). Como escrever um artigo de revisão sistemática. In: Koller, Sílvia. H., Paula Couto, M. C. P. & Hohendorff, J. V. (org.). Manual de produção científica. Porto Alegre: Penso, 53-67.

Ferrari, T. B. (2025). Formação de Professores(as) de Química com Foco na Equidade Educacional. [Tese de Doutorado, Universidade Estadual Paulista].

Ferrarini, F. O. C. (2020). Desenvolvimento do Conhecimento Prático-Profissional no Processo de Implementação de Unidades Didáticas Multiestratégicas para o Ensino de Química no Contexto da Formação Inicial de Professores. [Tese de Doutorado, Universidade Estadual Paulista].

Ferraz, A. P. C. M., & Belhot, R. V. (2010). Taxonomia de Bloom: revisão teórica e apresentação das adequações do instrumento para definição de objetivos instrucionais. Gestão & Produção, 17(2), 421-431. https://doi.org/10.1590/S0104-530X2010000200015

Garcez, E. S. C., Gonçalves, F. C., Alves, L. K. T., Araújo, P. H. A., Soares, M. H. F. B., & Mesquita, N. A. S. (2012). O estágio supervisionado em Química: possibilidades de vivência e responsabilidade com o exercício da docência. Alexandria: Revista de Educação em Ciência e Tecnologia, 5(3), 149-163. Recuperado de: https://periodicos.ufsc.br/index.php/alexandria/article/view/37740

Gatti, B. A. (2014). A formação inicial de professores para a educação básica: as licenciaturas. Revista Usp, 100, 33-46. https://doi.org/10.11606/issn.2316-9036.v0i100p33-46

Grossman, P., Kavanagh, S. S. & Dean, C. G. P. (2018). The Turn Towards Practice-Based Teacher Education. In: Grossman, P. (Ed.) Teaching core practices in teacher education. Cambridge, MA: Harvard Education Press, 1-14.

Kennedy, M. M. (1999) The role of preservice teacher education. In: DARLING-HAMMOND, L.; SYKES, G. (ed.). Teaching as the learning profession: handbook of teaching and policy. San Francisco: Jossey-Bass, 54-86.

Luz, A. R. & Bego, A. M. (2022). Caminhos para a reestruturação da supervisão de estágios curriculares: proposição de um modelo teórico-prático para fundamentar a atuação de professores supervisores de ciências. Ensaio Pesquisa em Educação em Ciências, 24, 1-21. https://doi.org/10.1590/1983-21172021240111

Luz, A. R., Silva, T. R. & Bego, A, M. (2023). Revisão sistemática acerca do papel do professor supervisor de estágio na formação de futuros professores de ciências. Educação Química en Punto de Vista, 7, 1-14. Recuperado de: https://revistas.unila.edu.br/eqpv/article/view/3361

Morais, R. P. & Bego, A. M. (2024). Princípios Epistemológicos, Sociopolíticos e Psicopedagógicos do Ensino de Ciências por Investigação. Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências, 24, e47885, 1-34. DOI: https://doi.org/10.28976/1984-2686rbpec2024u491524

Pereira, N. X. & Oliveira, G. S. de. (2024). Observação e análise documental as suas contribuições na pesquisa científica. Revista Multidisciplinar Humanidades e Tecnologias (FINOM), 46, 63-79. Recuperado de ttps://revistas.icesp.br/index.php/FINOM_Humanidade_Tecnologia/article/viewFile/4877/2587

Pimenta, S. G., & Lima, M. S. L. (2019). Estágios supervisionados e o Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência: duas faces da mesma moeda? Revista Brasileira de Educação, 24, e240001. https://doi.org/10.1590/S1413-24782019240001

Porlán, R. & Harres, J. B. S. (2002). A epistemologia evolucionista de Stephen Toulmin e o ensino de ciências. Caderno Brasileiro de Ensino de Física, 19(especial), 70-83. Recuperado de https://periodicos.ufsc.br/index.php/fisica/article/view/10055

Porlán, R. & Rivero, A. (1998). El conocimiento de los profesores. Sevilla: Diada.

Sanmartí, N. (2009). Organización y secuenciación de las actividades de enseñanza/ aprendizaje. In: Sanmartí, N. Didáctica de las Ciencias en la Educación Secundaria Obligatoria. Madrid, Síntesis Editorial, 169-204.

Silva, R. M. G. D. & Schnetzler, R. P. (2008). Concepções e ações de formadores de professores de Química sobre o estágio supervisionado: propostas brasileiras e portuguesas. Química Nova, 31, 2174-2183. https://doi.org/10.1590/S0100-40422008000800045.

Downloads

Publicado

2025-11-02

Como Citar

Paola Gimenez Mateus Alves, Melany Isabel Garcia Natale, Angélica Ramos da Luz, & Amadeu Moura Bego. (2025). Estágio Curricular Supervisionado em Química: análise de um percurso formativo para (re)pensar a formação inicial. Revista Da Sociedade Brasileira De Ensino De Química, 6(1), e062508. https://doi.org/10.56117/resbenq.2025.v6.e062508

Edição

Seção

Dossiê