Da Indústria à Sala de Aula: investigando o memorial de formação de uma estagiária em Ensino de Química
DOI:
https://doi.org/10.56117/resbenq.2025.v6.e062511Palavras-chave:
Estágio docente, Pesquisa (auto)biográfica, Memorial de formaçãoResumo
Este artigo aborda as narrativas (auto)biográficas na formação docente, investigando o memorial de formação de uma licencianda em Química (identificada como Myriam) durante seu estágio supervisionado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. O objetivo central foi analisar como a trajetória pessoal e formativa da estagiária se reflete em seu memorial, explorando as relações entre suas experiências de vida e seu desenvolvimento profissional. Além disso, buscou-se discutir as implicações dessas narrativas para a formação de professores de Química, considerando os desafios contemporâneos da profissão. A metodologia adotada foi qualitativa, baseada na análise documental do memorial de Myriam, complementada por documentos institucionais, como o plano de ensino e o diário de campo do orientador. A análise seguiu uma abordagem compreensivo-interpretativa, organizada em três etapas: pré-análise, leitura temática e interpretação textual. Foram identificadas quatro unidades temáticas/ descritivas principais: trajetória escolar e influência familiar; trajetória universitária e insatisfações profissionais com a indústria química; transição para a Licenciatura em Química e novos rumos profissionais; satisfação com a Licenciatura em Química e projeções para o futuro na docência. Os resultados revelaram que o memorial funcionou como um artefato de reflexão crítica, permitindo à estagiária ressignificar suas experiências, colocar-se como protagonista de suas memórias e pensar sobre seu desenvolvimento profissional. Conclui-se que as narrativas (auto)biográficas são estratégias valiosas na formação docente, pois favorecem a emersão de dimensões existenciais atinentes ao ser professor. O estudo reforça a importância de modelos formativos que adotem uma racionalidade crítica, valorizando a historicidade dos sujeitos e promovendo uma educação emancipatória.
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