Inteligência artificial na escola pública: percepções de licenciandos do PIBID
DOI:
https://doi.org/10.56117/resbenq.2026.v7.e072622Palavras-chave:
Ensino de Química, Formação Inicial de Professores, PIBID, Escola públicaResumo
Este estudo teve por objetivo analisar as percepções de licenciandos em Química e Física participantes do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) acerca do papel da inteligência artificial (IA) no processo de ensino e aprendizagem na escola pública. Participaram 24 licenciandos vinculados à Universidade do Estado do Pará (UEPA) e à Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). De abordagem qualitativa e caráter exploratório, a pesquisa utilizou um questionário com duas questões abertas. O corpus foi submetido à Classificação Hierárquica Descendente e à Análise de Similitude no IRAMUTEQ, e os resultados foram interpretados com apoio da Análise Textual Discursiva. Os participantes percebem a IA como ferramenta de apoio ao planejamento, à produção de materiais didáticos e à organização do trabalho pedagógico. Também identificam riscos relacionados à imprecisão das respostas, à dependência tecnológica, à padronização das práticas pedagógicas e à desvalorização do trabalho docente. As percepções expressas convergem para a preservação da mediação, da autoria e do julgamento profissional do professor. Conclui-se que a formação inicial deve incorporar discussões sistemáticas sobre o uso pedagógico, ético e crítico da IA, em contextos de escola pública.
Referências
Brasil. Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior. (2024a). Portaria CAPES nº 90, de 25 de março de 2024. https://cad.capes.gov.br/ato-administrativo-detalhar?anchor=&idAtoAdmElastic=14542
Brasil. Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior. (2024b). Edital nº 10/2024 – Programa CAPES/PIBID. https://www.gov.br/capes/pt-br/centrais-de-conteudo/editais/29052024_Edital_2386922_SEI_2386489_Edital_10_2024.pdf
Camargo, B. V., & Justo, A. M. (2013). IRAMUTEQ: Um software gratuito para análise de dados textuais. Temas em Psicologia, 21(2), 513–518. https://doi.org/10.9788/TP2013.2-16
Camargo, B. V., & Justo, A. M. (2021). Tutorial para uso do software IRAMUTEQ (Interface de R pour les Analyses Multidimensionnelles de Textes et de Questionnaires). Universidade Federal de Santa Catarina. https://pratinaud.gitpages.huma-num.fr/iramuteq-website/documentation/Tutorial-iramuteq-em-portugues-22-11-2021.pdf
Creely, E., & Carabott, K. (2025). Teaching and learning with AI: An integrated AI-oriented pedagogical model. The Australian Educational Researcher, 52, 4633–4654. https://doi.org/10.1007/s13384-025-00913-6
Gil, A. C. (2016). Métodos e técnicas de pesquisa social (6ª ed.). Atlas.
Huang, R., Yin, Y., Zhou, N., & Lang, F. (2026). Artificial intelligence in K–12 education: An umbrella review. Computers and Education: Artificial Intelligence, 10, 100519. https://doi.org/10.1016/j.caeai.2025.100519
Lehmann, M., Cornelius, P. B., & Sting, F. J. (2024). AI meets the classroom: When does ChatGPT harm learning? arXiv. https://arxiv.org/abs/2409.09047v1
Leite, B. S. (2024). Análise da inteligência artificial ChatGPT na proposição de planos de aulas para o ensino da química. Revista Electrónica de Enseñanza de las Ciencias, 23(3), 473–497. https://reec.uvigo.es/volumenes/volumen23/REEC_23_03_07_ex2207_1077.pdf
Lima, V. M. R., Amaral-Rosa, M. P., & Ramos, M. G. (2023). Discursive textual analysis & IRAMUTEQ: Potentials of the blended process. Acta Scientiae, 25(4), 1–25. https://doi.org/10.17648/acta.scientiae.6994
Mendonça, A. P. (2025). IA generativa na educação: Um ponto de partida para pesquisadores, professores e estudantes. Edição do autor. https://drive.google.com/file/d/1cuozKDY_dB3tLOGMbTwStPKeEclrg__x/view
Moraes, R., & Galiazzi, M. do C. (2016). Análise textual discursiva. Editora Unijuí.
Nogueira, K. S. C., & Fernandez, C. (2019). Estado da arte sobre o PIBID como espaço de formação de professores no contexto do ensino de Química. Ensaio: Pesquisa em Educação em Ciências, 21, e210128. https://doi.org/10.1590/1983-21172019210128
Paniago, R. N., Sarmento, T., & Rocha, S. A. da. (2018). O PIBID e a inserção à docência: Experiências, possibilidades e dilemas. Educação em Revista, 34, e190935. https://doi.org/10.1590/0102-4698190935
Reinert, M. (1983). Une méthode de classification descendante hiérarchique: Application à l’analyse lexicale par contexte. Les Cahiers de l’Analyse des Données, 8(2), 187–198. https://www.numdam.org/item/CAD_1983__8_2_187_0/
Rocha, P. N. (2025). Estágio supervisionado, PIBID e residência pedagógica no ensino de Química: Uma revisão sistemática. Revista da Sociedade Brasileira de Ensino de Química, 6(1), e062504. https://doi.org/10.56117/ReSBEnQ.2025.v6.e062504
Salviati, M. E. (2017). Manual do aplicativo IRAMUTEQ (versão 0.7 Alpha 2 e R versão 3.2.3). https://pratinaud.gitpages.huma-num.fr/iramuteq-website/documentation/manual_portuguese_Salviati.pdf
Sampaio, R. C., Sabbatini, M., & Limongi, R. (2024). Diretrizes para o uso ético e responsável da inteligência artificial generativa: Um guia prático para pesquisadores. Intercom. https://www.portcom.intercom.org.br/ebooks/detalheEbook.php?id=57203
Silva, L. P., & Bedin, E. (2025). O que há sobre experimentação problematizadora em revistas brasileiras de ensino de química? Revista Electrónica de Enseñanza de las Ciencias, 24(2), 314–334. https://reec.uvigo.es/volumenes/volumen24/REEC_24_02_05_ex2224_1097.pdf
Souza, R. F. de, Silva, C. D. H. da, Ramos, E. Z., & Afonso, A. F. (2026). Revisão de explicações em Química com apoio de IA generativa e mediação docente no ensino superior. Indagatio Didactica, 18(1), 381–400. https://doi.org/10.34624/4h7mxg39
Stanzani, E. de L., Broietti, F. C. D., & Passos, M. M. (2012). As contribuições do PIBID ao processo de formação inicial de professores de Química. Química Nova na Escola, 34(4), 210–219. https://qnesc.sbq.org.br/online/qnesc34_4/07-PIBID-68-12.pdf
Teles, L. M. G., Silva, L. P., & Silva, L. O. (2024). Percepções de professores de Química da Amazônia Paraense sobre a incorporação da inteligência artificial no ensino. Areté: Revista Digital del Doctorado en Educación, 10, 141–158. https://doi.org/10.55560/arete.2024.ee.10.10
UNESCO. (2025). Promoting and protecting teacher agency in the age of artificial intelligence: Position paper. https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000396540
Valiente, L. J., Posso Menco, L., García Mendoza, K., Sánchez Montero, E., Díaz Jiménez, A., Fruto Silva, E., & Castillo Martelo, J. (2025). Artificial intelligence as didactic mediation in learning environments for the strengthening of reading comprehension in students of basic and higher education: A theoretical review from the Casa del Maestro. Lex Localis – Journal of Local Self-Government, 23(S6), 2143–2161. https://doi.org/10.52152/gkas0b92
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Licença Creative Commons
Todas as publicações da Revista da Sociedade Brasileira de Ensino de Química estão licenciadas sob licença Creative Commons Attribution 4.0 International License. (CC BY 4.0).
Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
- Autores mantêm os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Attributionque permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.
- Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
- Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho on-line(ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado (Veja O Efeito do Acesso Livre).
