A Inteligência Artificial como ferramenta sociocultural no Ensino de Química

Autores

DOI:

https://doi.org/10.56117/resbenq.2026.v7.e072623

Palavras-chave:

Inteligência Artificial, Ação mediada, Teoria Sociocultural

Resumo

Este estudo analisa como a Inteligência Artificial (IA) vem sendo significada e mobilizada no campo do Ensino de Química, à luz da Teoria Sociocultural de James V. Wertsch, com o objetivo de compreender se essa tecnologia pode ser caracterizada como uma ferramenta sociocultural nos processos educativos contemporâneos. Fundamentado no conceito de ação mediada, o trabalho investiga de que maneira a IA, enquanto artefato cultural e simbólico, atua de forma distribuída entre sujeitos e contextos. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa, orientada pela Análise de Discurso, utilizando o Pentagrama de Burke, composto pelos elementos ato, agente, agência, cena e propósito, como plano de fundo para examinar como a tecnologia é construída discursivamente na literatura científica recente. O corpus documental é constituído por nove trabalhos selecionados nas bases de dados acadêmicas CAPES, SciELO e Google Scholar, considerando publicações entre 2020 e 2025. A análise organiza-se em quatro categorias: a Inteligência Artificial como instrumento de mediação cognitiva, como artefato simbólico, como autoridade discursiva e suas implicações éticas no contexto educacional. Os resultados indicam que a Inteligência Artificial atua como agência mediadora capaz de redistribuir processos mentais, apoiar a elaboração de representações complexas, como simulações e planejamentos didáticos, e influenciar práticas pedagógicas no Ensino de Química, embora apresente limitações relacionadas à instabilidade das respostas e à superficialidade conceitual em determinados usos. Conclui-se que a Inteligência Artificial pode ser compreendida como ferramenta sociocultural que redefine as relações mediadas entre sujeitos e objetos de conhecimento, ampliando possibilidades pedagógicas, mas exigindo mediações humanas intencionais e apropriação crítica consciente.

Biografia do Autor

Isabela Pereira Ferraz da Silva, Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Unesp

Isabela Pereira Ferraz da Silva é doutoranda e mestra em Educação para a Ciência pela Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (UNESP). Licenciada em Química e bacharela em Química Tecnológica pela mesma instituição, é pesquisadora na área de Ensino de Química, tecnologias digitais e Inteligência Artificial aplicada à educação.

Aguinaldo Robinson de Souza, Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Unesp

Aguinaldo Robinson de Souza é professor sênior do Departamento de Química da Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (UNESP). Mestre e doutor em Ciências pelo Instituto de Química de São Carlos (USP), é pesquisador na área de Ensino de Ciências e Tecnologia Educacional.

Marcelo Maia Cirino, Universidade Estadual de Londrina, UEL

Marcelo Maia Cirino é docente associado do Departamento de Química da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Bacharel em Química e licenciado em Ciências com habilitação em Química, com doutorado e pós-doutorado em Educação em Ciências pela UNESP, é pesquisador na área de Ensino de Química e novas tecnologias.

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Publicado

2026-09-29

Como Citar

Silva, I. P. F. da, Souza, A. R. de, & Maia Cirino, M. (2026). A Inteligência Artificial como ferramenta sociocultural no Ensino de Química. Revista Da Sociedade Brasileira De Ensino De Química, 7(1), e072623. https://doi.org/10.56117/resbenq.2026.v7.e072623

Edição

Seção

Dossiê