Inteligência Artificial e o Ensino de Química: um debate crítico para além do uso fetichizado
DOI:
https://doi.org/10.56117/resbenq.2026.v7.e072614Palavras-chave:
Inteligência Artificial, Materialismo Histórico-Dialético, Ensino de QuímicaResumo
O presente trabalho apresenta um cunho teórico que objetiva tensionar os debates sobre o uso crítico da inteligência artificial (IA) no ensino de química. Assim como toda tecnologia, a inteligência artificial carrega intencionalidades relativas à sociedade capitalista em que vivemos, e o aspecto político-social desses recursos não pode ser esquecido no debate educacional e no ensino de química. A literatura tem apontado diversas potencialidades no uso desses recursos na educação; no entanto, na maioria das vezes, a discussão gira em torno da melhor forma de usar os comandos da IA e da análise crítica das respostas que são dadas. Entendemos que, apesar de importante, ficar apenas nesse debate fetichiza o uso da inteligência artificial, retirando a base sócio-material que está por trás dela. Assim, acreditamos que o fluxo produtivo da produção da IA pode servir como base para discutir aspectos relativos à mineração de elementos químicos, questões químicas ambientais, além de entender como podemos usar esse recurso para preparar materiais e auxiliar em sala de aula, sem perder de vista o contexto humano e ideológico por trás da produção e treinamento das inteligências artificiais, contribuindo, portanto, para ir além de um uso fetichizado. Levando em consideração a importância de se debater como podemos usar as funcionalidades da IA e avaliar os seus resultados, concluímos que precisamos avançar para discussões que superem apenas o operacionalismo das inteligências artificiais no ensino de química, de modo que a palavra “crítica” ganhe um sentido quando usada para pensar nesses recursos.
Referências
Antunes, R. (2020). Trabalho intermitente e uberização do trabalho no limiar da indústria 4.0. In R. Antunes (Org.), Uberização, trabalho digital e indústria 4.0 (pp. 16–34). Boitempo.
Araújo, J., & Araújo, J. (2024). Racismo algorítmico e inteligência artificial: Uma análise crítica multimodal. Revista Linguagem em Foco, 16(2), 89–109. https://doi.org/10.46230/lef.v16i2.13108
Barbosa, A. (2023, 9 Janeiro). Escolas de Nova York proíbem o uso do ChatGPT. Forbes Brasil. https://forbes.com.br/forbes-tech/2023/01/escolas-de-nova-york-proibem-o-uso-do-chatgpt/
Barroso, L. R., & Mello, P. P. C. (2024). Inteligência artificial: promessas, riscos e regulação. Algo de novo debaixo do sol. Revista Direito e Práxis, 15(4), 1–45. https://doi.org/10.1590/2179-8966/2024/84479
Boratto, M. (2023). Inteligência Artificial: breve histórico, conceitos e reflexões. In L. Alves (Org.), Inteligência artificial e educação: refletindo sobre os desafios contemporâneos (pp. 21–31). Edufba.
Cardoso, F. S., Pereira, N. S., Braggion, R. C., Chaves, P. E. M. C., & Andrioli, M. G. (2023). O uso da inteligência artificial na educação e seus benefícios: Uma revisão exploratória e bibliográfica. Revista Ciência em Evidência, 4(FC), e023002. https://doi.org/10.47734/rce.v4iFC.2332
Castells, M. (2007). A sociedade em rede (10ª ed.). Paz e Terra.
Faustino, D. M., & Lippold, W. (2023). Colonialismo digital: Por uma crítica hacker-fanoniana. Boitempo.
Fanon, F. (2022). Os condenados da Terra. Zahar.
Giordan, M. (1998). Educação em química e multimídia. Química Nova na Escola, (6), 6–7. https://cabecadepapel.com/sites/colecaoaiq2011/QNEsc06/eqm.pdf
Gomes, F. F. B., Fernandes, A. B., Rios, F. S., Silva, M. V. M., & Bohrer, M. T. P. (2023). Contribuições da inteligência artificial no contexto educativo. Revista Ilustração, 4(2), 37–46. https://doi.org/10.46550/ilustracao.v4i2.152
Harari, I. (2025, 6 Agosto). Mineradora quer explorar terras raras dentro de quilombo no Tocantins. Repórter Brasil. https://reporterbrasil.org.br/2025/08/terras-raras-quilombo-kalunga-mimoso-brasmet/
Junqueira, E. (2025). Inteligência artificial generativa e estudantes universitários no contexto dos multiletramentos. Revista Docência e Cibercultura, 9(1), 1–17. https://doi.org/10.12957/redoc.2025.81548
Kolodny, L. (2024, 28 Agosto). Elon Musk’s xAI accused of worsening Memphis smog with unauthorized gas turbines at data center. CNBC. https://www.cnbc.com/2024/08/28/musk-xai-accused-of-worsening-memphis-smog-with-unauthorized-turbines.html
Laboratório de Políticas Públicas e Internet. (2025). Inteligência Artificial e Data Centers: a expansão corporativa em tensão com a justiça socioambiental. LAPIN. https://lapin.org.br/wp-content/uploads/2025/08/INTELIGENCIA-ARTIFICIAL-E-DATA-CENTERS-A-EXPANSAO-CORPORATIVA-EM-TENSAO-COM-A-JUSTICA-SOCIOAMBIENTAL-1-3.pdf
Leite, B. S. (2021). Pesquisas sobre as tecnologias digitais no ensino de química. Debates em Educação, 13, 244–269. https://doi.org/10.28998/2175-6600.2021v13nEsp2p244-269
Leite, B. S. (2023). Inteligência artificial e ensino de química: Uma análise propedêutica do ChatGPT na definição de conceitos químicos. Química Nova, 46(9), 915–923. https://doi.org/10.21577/0100-4042.20230059
Leite, B. S. (2024). Análise da inteligência artificial ChatGPT na proposição de planos de aulas para o ensino da química. Revista Electrónica de Enseñanza de las Ciencias, 23(3), 473–497. https://reec.uvigo.es/volumenes/volumen23/REEC_23_03_07_ex2207_1077.pdf
Leite, J. C., & Coletivo 660. (2023). Prólogo. In C. L. C. Penteado, J. Pellegrini, & S. A. Silveira (Orgs.), Plataformização, inteligência artificial e soberania de dados: Tecnologia no Brasil 2020–2030 (pp. 15–20). Ação Educativa. https://acaoeducativa.org.br/wp-content/uploads/2024/01/tecnologia_no_brasil_2020_2030.pdf
Lemos, A., & Lévy, P. (2010). O futuro da internet: Em direção a uma ciberdemocracia planetária. Paulus.
Lévy, P. (2010). Cibercultura (2ª ed.). Editora 34.
Lima, J. A. G. (2022). A natureza contraditória da geração de energia eólica no Nordeste do Brasil. EdUECE.
Maia, F. J., Batista, M. P., Silva, T. A., & Rodriguez, D. C. (2024). O arrendamento de terras para produção de energia eólica: Um novo capítulo da questão agrária brasileira. Revista Direito GV, 20, 1–31. https://doi.org/10.1590/2317-6172202413
Marx, K. (2013). O capital: Crítica da economia política (Livro I). Boitempo.
Messeder Neto, H. S. (2022). O ensino da química na pedagogia histórico-crítica: Considerações sobre conteúdo e forma para pensarmos o trabalho pedagógico concreto. Investigações em Ensino de Ciências, 27(2), 271–293. https://doi.org/10.22600/1518-8795.ienci2022v27n2p271
OpenAI. (2025). ChatGPT (versão GPT-5o) [Software]. https://chat.openai.com
Pauletti, F., Mendes, M., Rosa, M. P. A., & Catelli, F. (2017). Ensino de química mediado por tecnologias digitais: O que pensam os professores brasileiros? Revista Interacções, 13(44), 144–167. https://doi.org/10.25755/int.9820
Peixoto, J., & Araújo, C. H. D. S. (2012). Tecnologia e educação: Algumas considerações sobre o discurso pedagógico contemporâneo. Educação & Sociedade, 33(118), 253–268. https://doi.org/10.1590/S0101-73302012000100016
Penteado, C. L. C., Pellegrini, J., & Silveira, S. A. (Orgs.). (2023). Plataformização, inteligência artificial e soberania de dados: Tecnologia no Brasil 2020–2030. Ação Educativa. https://acaoeducativa.org.br/wp-content/uploads/2024/01/tecnologia_no_brasil_2020_2030.pdf
Santos, S. G. N. F. (2025). Este trabalho foi feito com o ChatGPT? Uma proposta do uso da IA ChatGPT para criação de um material didático para professores de química [Trabalho de Conclusão de Curso, Universidade Federal da Bahia].
Silveira, S. A. (2025). As big techs e a guerra total: O complexo militar-industrial-dataficado. Hedra.
Soares, L. F., & Silva, M. G. V. (2024). Inteligência artificial no ensino de química: Uma revisão integrativa. Revista Interagir, (125), 48–50. https://doi.org/10.12662/1809-5771ri.125.4970.p48-50.2024
Soares, M. H. F. B. (2024). Do espírito kobold ao elemento cobalto: Caminhos materiais e imateriais. In M. H. F. B. Soares & N. A. S. Mesquita (Orgs.), Elementar, meus caros e minhas caras…: Os elementos químicos em (de) diversos olhares (pp. 51–60). LF Editorial.
Traldi, M. (2019). Acumulação por despossessão: A privatização dos ventos para a produção de energia eólica no semiárido brasileiro [Tese de Doutorado, Universidade Estadual de Campinas]. Repositório da Produção Científica e Intelectual da Unicamp. https://doi.org/10.47749/T/UNICAMP.2019.1093474
Veraszto, E. V., Silva, D., Miranda, N. A., & Simon, F. O. (2009). Tecnologia: Buscando uma definição para o conceito. Prisma, 1(8), 19–46. https://ojs.letras.up.pt/index.php/prismacom/article/view/2065
Verma, S. (2025, 19 Agosto). Where AI gets its information: What we should know about AI’s knowledge sources. The Friendly CHRO. https://friendlychro.com/2025/08/19/where-ai-gets-its-information-2025/
Zuazo, N. (2025, 17 Outubro). Inteligencia artificial y extractivismo digital: ¿Quién gana con los data centers en América Latina? El País. https://elpais.com/america/2025-10-17/inteligencia-artificial-y-extractivismo-digital-quien-gana-con-los-data-centers-en-america-latina.html
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Licença Creative Commons
Todas as publicações da Revista da Sociedade Brasileira de Ensino de Química estão licenciadas sob licença Creative Commons Attribution 4.0 International License. (CC BY 4.0).
Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
- Autores mantêm os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Attributionque permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.
- Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
- Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho on-line(ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado (Veja O Efeito do Acesso Livre).
