Entre lacunas e consensos: implicações da inteligência artificial para a pesquisa em Educação em Ciências

Autores

DOI:

https://doi.org/10.56117/resbenq.2026.v7.e072611

Palavras-chave:

Sociologia do conhecimento científico, Teoria Histórico-Cultural da Atividade, ChatGPT

Resumo

As inteligências artificiais generativas (IA Gen), especialmente chatbots baseados em modelos de linguagem de grande porte (LLMs), têm reconfigurado práticas associadas à busca, organização, síntese e interpretação da literatura. Essa transformação é particularmente sensível em estudos revisionais da pesquisa científica, como estados da arte, mapeamentos, revisões sistemáticas, um tipo de pesquisa reconhecidamente relevante na Educação em Ciências. Com isso, este artigo tem como objetivo discutir conceitualmente como a incorporação desenfreada da IA Gen em pesquisas revisionais pode reconfigurar o sistema de atividades científicas na pesquisa. Metodologicamente, este é um trabalho de natureza qualitativa. Trazemos exemplos da literatura empírica e nos fundamentamos na Teoria Histórico-Cultural da Atividade para descrever e interpretar transformações sociotécnicas na prática revisional. Argumentamos que, quando a mediação técnica se desloca de instrumento para autoridade discursiva, há o risco de homogeneização de ideias e apagamento das lacunas, produzindo sínteses com aparência de consenso. Nesse cenário, surgem apontamentos genéricos e formulações descontextualizadas que substituem a problematização e a contradição natural de um campo científico amplo e plural como a pesquisa em Educação em Ciências. Concluímos apontando que o risco é apropriação acrítica da IA Gen como atalho epistêmico. Também ressaltamos que o uso da IA Gen na pesquisa requer transparência e procedimentos que preservem a visibilidade de dissensos e contradições, reconhecendo-os como motores históricos da produção de conhecimento.

Biografia do Autor

Daniel Trugillo Martins Fontes, Universidade Estadual de Campinas, UNICAMP

Licenciado em Física pela Universidade de São Paulo (USP), mestre e doutor em Ensino de Ciências pela mesma instituição. No mestrado, realizou período sanduíche na University College Copenhagen. No doutorado, realizou estágios de pesquisa no King’s College London e na Pontificia Universidad Católica de Chile. Atualmente desenvolve pesquisa de pós-doutorado na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), com financiamento FAPESP. Integra a editoria assistente do periódico Ensaio Pesquisa em Educação em Ciências.

João Otavio Garcia, Instituto Federal de Santa Catarina, IFSC

Doutor (2025) pelo Programa de Pós-Graduação em Educação Científica e Tecnológica (PPGECT) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) com período sanduíche na City University of New York (CUNY) com bolsa CAPES/PRINT. Mestre (2020) pelo mesmo programa e Licenciado em Ciências da Natureza com Habilitação em Física (2016) pelo Instituto Federal de Ciência, Educação e Tecnologia de Santa Catarina (IFSC). Professor substituto no IFSC. Atualmente atuo como editor assistente do periódico Outlines Critical Practice Studies (Copenhagen).

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Publicado

2026-09-25

Como Citar

Fontes, D. T. M., & Garcia, J. O. (2026). Entre lacunas e consensos: implicações da inteligência artificial para a pesquisa em Educação em Ciências. Revista Da Sociedade Brasileira De Ensino De Química, 7(1), e072611. https://doi.org/10.56117/resbenq.2026.v7.e072611

Edição

Seção

Dossiê