Usos técnicos e críticos de Sistemas de Inteligência Artificial em práticas do Ensino de Química e Ciências: tensões emergentes

Autores

DOI:

https://doi.org/10.56117/resbenq.2026.v7.e072612

Palavras-chave:

Sistemas de Inteligência Artificial, Perspectiva técnica, Perspectiva Crítica, Medicação tecnológica

Resumo

O uso crescente de Sistemas de Inteligência Artificial (SIA) no campo educacional, em especial no Ensino de Química, tem suscitado expectativas e preocupações relacionadas às suas implicações pedagógicas, epistemológicas e socioculturais. Diante desse cenário, o presente artigo tem como objetivo analisar de que forma o uso de SIA tem sido reportado em um conjunto de estudos relevantes da área do Ensino de Química, à luz das perspectivas de uso técnico e crítico das tecnologias. Para isso, constrói-se inicialmente uma tessitura teórica fundamentada nas concepções de tecnologia de Pacey e Cupani e na Teoria da Ação Mediada de Wertsch, permitindo caracterizar o uso técnico como instrumental, utilitarista e produtivista, e o uso crítico como aquele que integra dimensões contextuais, culturais, epistemológicas e pedagógicas. Metodologicamente, a pesquisa foi desenvolvida em duas etapas. A primeira consistiu em um mapeamento bibliométrico exploratório na base de dados Web of Science, com o intuito de identificar tendências, temas recorrentes e autores de destaque na produção científica sobre Inteligência Artificial no Ensino de Química. A partir desse mapeamento, foram selecionados trabalhos fortemente citados para compor o corpus da segunda etapa, dedicada a uma análise qualitativa de conteúdo, orientada teoricamente a partir da leitura integral do corpus e que permitiu identificar características de uso técnico ou crítico dos SIA. Os resultados indicam a coexistência de diferentes abordagens nos estudos analisados. Parte das investigações enfatiza o uso técnico dos SIA, priorizando a eficiência, a automação de tarefas e a otimização de processos como avaliação, planejamento e produção de materiais didáticos, ancoradas em uma lógica produtivista e mercadológica. Em contrapartida, outros trabalhos evidenciam uma perspectiva crítica, ao problematizar limites epistemológicos, riscos de reprodução de concepções alternativas, questões éticas, integridade acadêmica e os impactos da mediação tecnológica nas práticas educativas. Conclui-se que a incorporação dos SIA no Ensino de Química não é neutra e que o tipo de mediação construída (técnica ou crítica) influencia diretamente os valores, as práticas pedagógicas e o papel do professor e do estudante. O estudo busca propiciar subsídios teóricos e analíticos para a construção de propostas educacionais que superem o uso meramente instrumental dos SIA, favorecendo a apropriação crítica dessas tecnologias no contexto da Educação Química.

Biografia do Autor

Gildo Girotto Junior, Universidade Estadual de Campinas, Unicamp

Gildo Girotto Junior é professor Livre Docente do Instituto de Química da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp. Possui graduação em Química, mestrado e doutorado em Educação em Química e realizou pós-doutorado na Faculdade de Ciências do Porto, investigando competências docentes digitais, propostas STEAM no ensino de química e o uso de sistemas de Inteligência Artificial na educação. Desenvolve pesquisas na área de formação de professores, com ênfase na análise e no desenvolvimento de conhecimentos profissionais e tecnológicos, práticas interdisciplinares e propostas de divulgação científica. Atualmente, conduz projetos voltados para tecnologias educacionais e práticas STEAM, envolvendo temáticas associadas a Química Verde e iniciativas de comunicação pública da ciência.

Lívia Correia Chotolli , Universidade Estadual de Campinas, Unicamp

Licenciada em Química pela UNESP/IBILCE e mestranda em Ensino de Ciências da Natureza e Matemática pelo Programa de Pós-Graduação Multiunidades em Ensino de Ciências e Matemática da UNICAMP. Atualmente é PED da disciplina Educação e Tecnologias na UNICAMP e tutora das áreas de Ciências da Natureza e Matemática. Foi bolsista de Iniciação Científica do CNPq (PIBIC), desenvolvendo pesquisas na área de formação docente e tecnologias. Participou de projetos de extensão, do Programa de Residência Pedagógica e atuou como professora de Química em um cursinho popular. Tem experiência na área de Ensino de Ciências e Matemática, com ênfase em formação docente, tecnologias digitais na educação, modelo TPACK, Teoria da Ação Mediada e plataformização da educação.

Victória Lessa da Silva , Universidade Estadual de Campinas, Unicamp

Mestranda em Ensino de Química pelo Instituto de Química da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Graduada em Licenciatura em Química pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), em 2025, onde participou do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID) e realizou estágio no Laboratório de Química Aplicada (LQAP), entre 2022 e 2024. Atuou como professora de Química no Ensino Médio em 2024. Concluiu o Ensino Médio integrado ao curso Técnico em Química pelo Instituto Federal Fluminense (IFF) – Campus Bom Jesus do Itabapoana, em 2019. Tem interesse nas áreas de formação de professores, ensino de Química, tecnologias digitais aplicadas à educação e Educação STEAM.

Maria Laura Alves Pedro, Universidade Estadual de Campinas, Unicamp

Graduanda em Licenciatura Integrada em Química e Física com habilitação em Ciências pela UNICAMP. Desenvolve pesquisas na área de Ensino de Ciências, com ênfase em formação de professores, Competências Digitais Docentes e tecnologias digitais na educação. Participa de projetos de pesquisa, extensão e apoio didático.

Mayara de Carvalho Santos, Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Unesp

Licenciada em Química pela Universidade Federal Fluminense (2011-2016) com período sanduíche na Faculdade de Ciências e Tecnologia na Universidade Nova de Lisboa (FCT/UNL, 2015), doutorado em Ciências pelo Instituto de Química da Universidade Estadual de Campinas (2016-2021), na área de Ensino de Química. Realizou estágio de pós-doutoramento em Divulgação Científica pelo CNPq no IQ/UNICAMP (2024/2026). Atualmente, é professora assistente no Departamento de Química da Faculdade de Ciências da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (FC-Unesp), campus de Bauru. Tem experiência na área de produção de materiais didáticos para grandes editoras nacionais. Na pesquisa acadêmica, dedica-se a sistematizar os conhecimentos profissionais de divulgadores científicos e investiga os elementos constituintes da divulgação científica enquanto campo emergente na perspectiva bourdieusiana.

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Publicado

2026-09-25

Como Citar

Girotto Junior, G., Chotolli , L. C., Silva , V. L. da, Pedro, M. L. A., & Santos, M. de C. (2026). Usos técnicos e críticos de Sistemas de Inteligência Artificial em práticas do Ensino de Química e Ciências: tensões emergentes. Revista Da Sociedade Brasileira De Ensino De Química, 7(1), e072612. https://doi.org/10.56117/resbenq.2026.v7.e072612

Edição

Seção

Dossiê