Inteligência Artificial como Questão Sociocientífica: potencialidades de uma oficina formativa docente

Autores

DOI:

https://doi.org/10.56117/resbenq.2026.v7.e072606

Palavras-chave:

Inteligência Artificial, Questão Sociocientífica, Formação de professores

Resumo

A emergência da Inteligência Artificial (IA) generativa no contexto educacional impõe dilemas éticos, sociais e pedagógicos, configurando-se como uma Questão Sociocientífica (QSC) inadiável. Este artigo, baseado na pesquisa de Morais (2025), analisou a percepção de professoras da Educação Básica sobre implicações éticas e os riscos inerentes ao uso de ferramentas de IA (Chats) em sala de aula, sob a ótica da Educação em Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS). De abordagem qualitativa, a análise revelou um campo discursivo marcado pela ambivalência: as docentes reconhecem o potencial disruptivo da IA para otimizar o ensino, mas expressam profunda preocupação com a acomodação intelectual, a dependência tecnológica e a ampliação das desigualdades sociais (viés algorítmico). O achado central demonstra a superação do determinismo tecnológico, pois as professoras afirmam que o impacto da IA é definido pela intencionalidade e mediação humana. Conclui-se que o professor é o agente estratégico e insubstituível, cuja formação continuada, pautada em CTS, é fundamental para incorporar a Literacia Ética e Tecnológica no currículo, garantindo que a IA promova um projeto educativo humanizador, crítico e equitativo.

Biografia do Autor

Ellen Ludmille Santos de Morais , Universidade Federal do Rio Grande do Norte, UFRN

Ellen Ludmille Santos de Morais é licenciada em Química e Mestra em Ensino de Ciências Naturais e Matemática pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atua como professora da Educação Básica e desenvolve pesquisas nas áreas de Ensino de Ciências, formação de professores, Questões Sociocientíficas (QSC), abordagem Ciência-Tecnologia-Sociedade (CTS) e Inteligência Artificial na educação.

Josivânia Marisa Dantas, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, UFRN

Josivânia Marisa Dantas é licenciada em Química pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Mestra em Química pela UFRN e Doutora em Ciências pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). É professora associada da UFRN, vinculada ao Departamento de Práticas Educacionais e Currículo e aos Programas de Pós-Graduação em Ensino de Ciências Naturais e Matemática e em Ensino de Ciências e Matemática. Desenvolve pesquisas nas áreas de formação de professores de Ciências, Educação CTS, alfabetização científica e tecnológica e pensamento crítico.

Referências

Aikenhead, G. S. (1994). STS education: International perspectives on reform. Teachers College Press, pp. 47–59.

Auler, D., & Bazzo, W. A. (2001). Reflexões para a implementação do movimento CTS no contexto educacional brasileiro. Ciência & Educação, 7(1), 1–13. https://doi.org/10.1590/S1516-73132001000100001. Acesso em: 24 jun. 2026.

Bazzo, W. A. (1998). Ciência, Tecnologia e Sociedade: e o contexto da educação tecnológica. Editora da UFSC.

Bazzo, W. A., Linsingen, I. V., & Pereira, L. T. V. (2003). Introdução aos estudos CTS (ciência, tecnologia e sociedade). Organização dos Estados Ibero-americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI). https://wp.ufpel.edu.br/walter/files/2023/06/1__Introduo_aos_estudos_CTS_Bazzo_et_al.pdf Acesso em: 24 jun. 2026.

Brasil. (1997). Parâmetros Curriculares Nacionais: Ciências Naturais. Ministério da Educação, Secretaria de Educação Fundamental. http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/livro04.pdf. Acesso em: 15 de set. de 2025.

Brasil. (2021). Estratégia Brasileira de Inteligência Artificial. Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. https://www.gov.br/mcti/pt-br/acompanhe-o-mcti/transformacaodigital/ebia.pdf. Acesso em: 12 dez. 2024.

Brasil. Senado Federal. (2023). Projeto de Lei nº 2338, de 2023. Dispõe sobre o uso da Inteligência Artificial. https://www25.senado.leg.br/web/atividade/materias/-/materia/157233. Acesso em: 12 dez. 2024.

Casagrande, R. (2019). Inteligência artificial e a Educação além da Curva. Edição do Autor.

Christensen, C. M. (1997). The innovator’s dilemma: When new technologies cause great firms to fail. Harvard Business School Press. https://cpcglobal.org/publications/The%20Innovators%20Dilemma.pdf. Acesso em: 24 jun. 2026.

Costa, D. (2022). Plataformas adaptativas e o ensino personalizado. Must University. https://mustuniversity.s3.amazonaws.com/DISCIPLINAS/EDU660_Educational_Interface_Design/MATERIAL_DIDATICO/PDF_DOWNLOAD/PORTUGUES/EDU660_4_1.pdf . Acesso em: 03 fev. 2025.

Gray, D. E. (2012). Pesquisa no Mundo Real. Penso.

Jiménez-Aleixandre, M. P., & Frederico-Agraso, M. (2006). A argumentação sobre questões sociocientíficas: processos de construção e justificação do conhecimento em sala de aula. Educação em Revista, (43), 13–33. http://educa.fcc.org.br/pdf/edur/n43/n43a02.pdf. Acesso em: 24 jun. 2026.

Leite, B. S. (2023). Inteligência artificial e ensino de química: uma análise propedêutica do ChatGPT na definição de conceitos químicos. Química Nova, 46(9), 915–923. https://doi.org/10.21577/0100-4042.20230059. Acesso em: 26 jun. 2026.

Li, Y., Karim, M. M., Qin, R., Sun, Z., Wang, Z., & Yin, Z. (2021). Crash report data analysis for creating scenario-wise, spatio-temporal attention guidance to support computer vision-based perception of fatal crash risks. Accident Analysis & Prevention, 151, Article 105962. https://doi.org/10.1016/j.aap.2020.105962. Acesso em: 12 dez. 2024.

Lopes, A. M. (2013). A constituição de associações livres e o trabalho com as questões sociocientíficas na formação de professores [Tese de doutorado, Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho]. Repositório Institucional UNESP. https://repositorio.unesp.br/entities/publication/b2e852e4-6247-4354-b04e-f9fedf0422fb. Acesso em: 27 jun. 2026.

Moraes, R., & Galiazzi, M. C. (2016). Análise textual discursiva (3ª ed.). Unijuí.

Mosé, V. (2013). A escola e os desafios contemporâneos (1ª ed.). Civilização Brasileira.

Mosé, V. (2019). A espécie que sabe: do Homo sapiens à crise da razão. Vozes.

Palsule, S., & Mishra, S. (2020). Computer vision market analysis and segment forecasts to 2028. Grand View Research.

Pansera-de-Araújo, M. C., et al. (2009). Enfoque CTS na pesquisa em educação em ciências: extensão e disseminação. Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências, 9(3). https://periodicos.ufmg.br/index.php/rbpec/article/view/3996. Acesso em: 27 jun. 2026.

Parreira, S. A. N. (2012). Perspectiva CTSA (ciência, tecnologia, sociedade e ambiente) no ensino das ciências: concepções e práticas de professores de ciências da natureza do 2.º ciclo do ensino básico [Dissertação de mestrado, Instituto Politécnico de Bragança]. Biblioteca Digital do IPB. https://bibliotecadigital.ipb.pt/entities/publication/ebe2c78a-dedc-4991-8983-3fd7c163f3fa. Acesso em: 27 jun. 2026.

Pedretti, E. (2003). Teaching Science, Technology, Society and Environment (STSE) Education: Preservice Teachers’ Philosophical and Pedagogical Landscapes. In D. Zeidler (Org.), The Role of Moral Reasoning on Socioscientific Issues and Discourse in Science Education (pp. 219–239). Kluwer Academic Publishers. https://doi.org/10.1007/1-4020-4996-X_2. Acesso em: 27 jun. 2026.

Pérez, L. F. M. (2010). A abordagem de questões sociocientíficas na formação continuada de professores de ciências: contribuições e dificuldades [Tese de doutorado, Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho]. Repositório Institucional UNESP. https://repositorio.unesp.br/entities/publication/03dd7528-3394-4e7e-b5ea-50728eda4faf. Acesso em: 27 jun. 2026.

Pérez, L. F. M. (2012). Introdução. In Questões sociocientíficas na prática docente: ideologia, autonomia e formação de professores (pp. 11–28). Editora UNESP. https://repositorio.unesp.br/entities/publication/669d0945-d2cf-46ae-b1f3-aaeb714219fc. Acesso em: 27 jun. 2026.

Piteira, M., Aparicio, M., & Costa, C. J. (2019). A Ética na Inteligência Artificial: Desafios. In 14th Iberian Conference on Information Systems and Technologies (CISTI) (pp. 1–6). IEEE. https://comum.rcaap.pt/handle/10400.26/29146. Acesso em: 27 jun. 2026.

Ratcliffe, M., & Grace, M. (2003). Educação científica para a cidadania: ensinando questões sócio-científicas. McGraw-Hill Education.

Rodríguez, A. S. M., & Del Pino, J. C. (2017). Abordagem Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS): perspectivas teóricas sobre educação científica e desenvolvimento na América Latina. #Tear: Revista de Educação, Ciência e Tecnologia, 6(2). https://doi.org/10.35819/tear.v6.n2.a2490. Acesso em: 28 jun. 2026.

Russell, S. J., & Norvig, P. (2021). Inteligência Artificial (4ª ed.). Pearson.

Sadler, T. D. (2004). Moral and ethical dimensions of socioscientific decision-making as integral components of science literacy. Science Educator, 13(1), 39–48. https://files.eric.ed.gov/fulltext/EJ740943.pdf. Acesso em: 28 jun. 2026.

Sadler, T. D., & Donnelly, L. A. (2006). Socioscientific Argumentation: the effects of content knowledge and morality. International Journal of Science Education, 28(12), 1463–1488. https://doi.org/10.1080/09500690600708717. Acesso em: 28 jun. 2026.

Santaella, L. (2020). A semiótica das fake news. VERBUM, 9(2), 9–25. https://revistas.pucsp.br/index.php/verbum/article/view/50522. Acesso em: 28 jun. 2026.

Santos, D. M. A. de A. P. dos. (2023). Inteligência artificial na educação: potencialidades e desafios. SCIAS Educação, Comunicação, Tecnologia, 5(2), 74–89. https://doi.org/10.36704/sciaseducomtec.v5i2.7692. Acesso em: 29 jun. 2026.

Santos, W. L. P. dos, & Mortimer, E. F. (2016). Abordagem de aspectos sociocientíficos em aulas de ciências: possibilidades e limitações. Investigações em Ensino de Ciências, 14(2), 191–218. https://ienci.if.ufrgs.br/index.php/ienci/article/view/355. Acesso em: 29 jun. 2026.

Santos, W. L. P. dos, Almeida, K. M., & Silva, S. M. B. (2018). Perspectivas e desafios de estudos de QSC na Educação Científica Brasileira. In D. M. Conrado & N. Nunes-Neto (Orgs.), Questões sociocientíficas: fundamentos, propostas de ensino e perspectivas para ações sociopolíticas (pp. 427–451). EDUFBA. https://doi.org/10.7476/9788523220174. Acesso em: 30 jun. 2026.

Sichman, J. S. (2021). Inteligência Artificial e sociedade: avanços e riscos. Estudos Avançados, 35(101), 37–50. https://doi.org/10.1590/s0103-4014.2021.35101.004. Acesso em: 30 jun. 2026.

Sierra, M. F. (2015). Compreensões sobre a natureza da ciência de licenciandos a partir da experiência com questões sociocientíficas: possibilidades para a formação inicial [Tese de doutorado, Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho]. Repositório Institucional UNESP. https://repositorio.unesp.br/entities/publication/bc2d8bc9-480d-47e5-b9a4-9e01c1739ef0. Acesso em: 30 jun. 2026.

Stake, R. E. (2016). Pesquisa qualitativa: estudando como as coisas funcionam. Penso.

Suleyman, M., & Bhaskar, M. (2024). A próxima onda: Inteligência artificial, poder e o maior dilema do século XXI (3ª ed.). Record.

Tardif, M. (2014). Saberes docentes e formação profissional (17ª ed.). Vozes. https://www.academia.edu/86539423/Saberes_Docentes_Tardif_#loswp-work-container. Acesso em: 30 jun. 2026.

Tenreiro-Vieira, C. (2000). O pensamento crítico na educação científica. Lisboa: Instituto Piaget

Tenreiro-Vieira, C., & Vieira, R. M. (2014). Construindo práticas didático-pedagógicas promotoras da literacia científica e do pensamento crítico. OEI.

UNESCO. (2019). Consenso de Beijing sobre a inteligência artificial e a educação. Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000372249 . Acesso em: 30 jun. 2026.

UNESCO. (2022). Recommendation on the Ethics of Artificial Intelligence. Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000381137_por. Acesso em: 30 jun. 2026.

UNESCO. (2023a). Guidance for generative AI in education and research. Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura.

UNESCO. (2023b). Resumo do relatório de monitoramento global da educação. Tecnologia na educação: uma ferramenta a serviço de quem?. Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000386147_por. Acesso em: 30 jun. 2026.

UNESCO. (2024). Guia para a IA generativa na educação e na pesquisa. Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000390241. Acesso em: 30 jun. 2026.

Universidade de São Paulo. (2023, 10 maio). Inteligência artificial utiliza base de dados que refletem preconceitos e desigualdades. Jornal da USP. https://jornal.usp.br/atualidades/inteligencia-artificial-utiliza-base-de-dados-que-refletem-preconceitos-e-desigualdades/. Acesso em: 01 jul. 2026.

Vieira, R. M., & Tenreiro-Vieira, C. (2021). Pensamento crítico e criativo na educação em ciências: Percursos de investigação e proposta de referencial. In N. M. M. Kiouranis, R. M. Vieira, C. Tenreiro-Vieira, & V. S. Calixto (Orgs.), Pensamento crítico na educação em ciências: Percursos, perspectivas e propostas de países ibero-americanos (pp. 17–41). Livraria da Física. https://lfeditorial.com.br/wp-content/uploads/2023/07/9786555630923_reduced.pdf. Acesso em: 01 jul. 2026.

Westerlund, M. (2019). The emergence of deepfake technology: A review. Technology Innovation Management Review, 9(11), 39–52. https://timreview.ca/article/1282. Acesso em: 01 jul. 2026.

Zeidler, D. L., & Sadler, T. D. (2023). Exploring and expanding the frontiers of socioscientific issues. In D. L. Zeidler (Org.), Handbook of research on science education (Vol. 3, Cap. 28, pp. 899–929). Routledge. https://doi.org/10.4324/9780367855758-33. Acesso em: 01 jul. 2026.

Downloads

Publicado

2026-09-25

Como Citar

Santos de Morais , E. L., & Dantas, J. M. (2026). Inteligência Artificial como Questão Sociocientífica: potencialidades de uma oficina formativa docente. Revista Da Sociedade Brasileira De Ensino De Química, 7(1), e072606. https://doi.org/10.56117/resbenq.2026.v7.e072606

Edição

Seção

Dossiê